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Gata no Telhado

... Por uma vida passam várias vidas e todas elas importam...

Gata no Telhado

... Por uma vida passam várias vidas e todas elas importam...

Fazes-me falta

“Fizeste do teu, o meu caminho;

Fizeste dos meus olhos, o teu reflexo;

Fizeste dos meus braços, o teu conforto;

Fizeste das tuas noites os meus dias

E dos teus dias as minhas noites.

 

Fizeste com que o teu coração fosse completo em mim

E não em pedaços nos dois,

Para que pelo menos um sobrevivesse…”

 

(Fátima Pintassilgo)

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Notas soltas

Nos poucos anos de vida que tenho, já perdi imensas pessoas para a morte. Família, amigos, conhecidos, utentes. Utentes que nos mudam, utentes que são apenas utentes. De todos eles tenho um pouco. Admito que não gosto do palavrão “utente”, como se fosse um propósito de diferenciação, somos todos pessoas, humanos.
Sempre aceitei. Sempre continuei. A morte faz parte do nosso ciclo, faz parte da vida e igualmente faz parte da minha profissão vivenciá-la de quando a quando. Talvez por isso, por pura arrogância ou ignorância, nunca imaginei que quando te perdesse fosse perder-me também. Estou perdida. Incompleta. Não consigo encontrar de novo o meu caminho de casa…

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Duas é melhor que uma - Maggie e Lua

Para mitigar a minha mente depressiva decidi que precisava urgentemente de um cão.
Queria um Golden Retriver...sim, eu estava disposta a pagar (e muito) por um Golden Retriver. Mas a minha consciência torcia-se e torcia-se sob a veracidade de haver tantos canídeos a precisar de uma família nos canis municipais e Associações. E pronto. "De armas e bagagens" comecei a investigar na internet e a ver fotografias, de forma a tentar perceber se havia alguma conexão empática com a minha personagem e o animal. Nada. Aqueles de que gostava num ápice ficavam indisponíveis.
Marquei visita ao canil municipal. Já sabia que ia correr mal, porque assim que lá coloquei os pés queria levar todos. Deixei que me escolhessem. E escolheram. Numa breve história fiquei com duas gordas lindas refeirolas [mãe (de 6 anos) e filha (de 3 meses)] que me têm feito muito feliz, no meio de muitas asneiras que não tenho coragem de corrigir, porque simplesmente as AMO MUITO!!! E…convenci a minha mãe a adoptar também .

 

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                         Maggei e Lua 

 

Amei-te, amo-te e amar-te-ei

Fez ontem três meses que fiquei sem o meu marido, faz hoje três meses que o deixei na sua eterna morada. Um dia irei fazer-lhe companhia.

Costumo gracejar ironicamente com o meu tão característico humor negro, ao ainda conversar com ele: “marido, finalmente consegui comprar um terreno para ambos”. Nas terras pequenas é tudo diferente. Podemos comprar o local que nos é facultado para o “descanso eterno”.

Foram 3 anos de muito amor, carinho, coragem, dedicação e IMENSOS desafios. Apesar de supostamente evoluídos, o nosso sistema de saúde ainda não está pronto para lidar com utentes e familiares de utentes com Esclerose Lateral Amiotrófica. Falo tanto do sistema de saúde público, como do privado. Não se enganem.

Ele conseguiu sobreviver à doença 5 anos. Muito a custo de eu ser profissional de saúde e de eu trabalhar com uma equipa técnica fabulosa que nos auxiliou SEMPRE. Humilde, amigo do seu amigo, deixou-nos aos 43 anos. Foi um guerreiro até ao fim. Um exemplo a seguir.

Deixo-vos a sua página de Facebook (https://www.facebook.com/Hist%C3%B3ria-com-hist%C3%B3rias-106137144220634 ) e uma publicação (https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=107263284108020&id=106137144220634 ) onde ele próprio escreveu o seu testemunho. Merece ser lido, partilhado e percorrer o mundo inteiro.

Três meses sem o homem da minha vida. O amor que muitos querem ter e não conseguem numa vida inteira. O seu corpo partiu, cansado de tanto lutar. Mas ele está e estará sempre ao meu lado, para continuarmos a amar, rir, brincar, aprender e viver. Amei-te, amo-te e amar-te-ei. Continuarei sempre ao teu lado, tal como sei que estás ao meu.

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Quase um ano passou

E aqui estamos...

Quase um ano passou e tudo mudou. Ou talvez não.

Encontrei um amor inesperado (há quem diga um amor impossível), casei. E aqui estamos nós...

Casei com alguém que me mudou a visão do mundo. Casei com consciência do meu futuro e de todas as dificuldades que inevitavelmente irei ter, embora saiba que não estou minimamente preparada para elas. Mas aqui estamos nós. O meu marido tem ELA. Esclerose Lateral Amiotrófica. Tem mais de 80% de incapacidade motora. Mas nada disso me assustou.

Ele não queria fazer fisioterapia, já tinha desistido. Eu não me apetecia fazer domicílios, andava demasiado triste e só me apetecia estar em casa inerte. Mas ambos cedemos. Conhecemo-nos. Eu dei-lhe força para ainda não deixar de sorrir e ele deu-me um motivo para agarrar a vida. Assim nasceu a amizade. Assim nasceu o amor. Contrariedades? Muitas!! Demasiadas!! Ainda hoje. Contrariedades criadas pelo preconceito humano. Mas ambos somos teimosos quando queremos algo. E queremos muito pertencer um ao outro até que o destino assim o deixe...

 

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Apenas um sonho...

Esta noite sonhei contigo. Levaste-me a jantar juntamente com o teu casal amigo. Tal como fazíamos nos nossos tempos de ouro. Dentro do carro o silêncio era ensurdecedor. Procurava perceber onde íamos sem chegar a nenhuma conclusão. O H. conduzia e tu estavas a meu lado de mão dada comigo. O carro estacionou. O local era barulhento e repleto de uma multidão imensa de perder de vista. Eles foram os primeiros a sair do carro e a desaparecer na multidão. Nós saímos a seguir. Ias à minha frente em passo acelerado e eu tentava acompanhar-te. Esquivavas-te pela multidão e eu sempre a tentar apanhar-te para não te perder…mas perdi-te de vista. Assustada chamei-te vezes e vezes sem conta. Ouvi a tua voz de longe. “Espera por mim, não me deixes” disse-te. Ao qual respondeste em tom de riso “Não posso. Bem sabes que não posso ficar contigo.” E ali fiquei no meio da multidão,sozinha, exposta, sem saber sequer o caminho para casa….

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Ser ou não ser

Alguém disse-me “Fiz um mau julgamento de ti. Afinal não és como me tinham dito.”

 

Pois é... a nossa sociedade e comunidade é mesmo assim. Fazem o julgamento de alguém pela palavra de outrem e não pelas atitudes do mesmo. Devo recordar-vos que todos nós somos diferentes e agimos de forma diferente perante diferentes pessoas. Confuso? Nem por isso. Somos humanos, não autómatos. Com uns somos simpáticos, com outros arrufados, ainda temos a nossa vertente rebelde dos bons amigos e a do sorriso amarelo passando pela fase do mau-humor e antipatia pura.

Somos milhões meus senhores! Temos mesmo que agradar a todos?! Cintando ironicamente uma frase comum: “QUE DEUS NOS LIVRE”! Notícia de última hora para quem anda distraído... a Madre Teresa de Calcutá já morreu há uns bons pares de anos e apesar de tal brandura em forma humana, não acredito que não tenha aborrecido uma ou outra formiga.

Conselho de humano, para vós, humanos… não julguem pela aparência, não julguem pelas vozes alheias. Mexericos e famas inapropriadas a todos nós calham de tempos a tempos e nem precisamos de sair de casa ou de estar vivos. Por isso, julguem por vós mesmos. Não existe melhor história, nem melhor sabedoria que aquela vivida, vista e escutada por nós. Porque essa é a nossa verdade, a nossa realidade, a nossa história.

 

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